Da Reportagem
Investir mais na diversidade de produtos para o público consumidor, transformando o Centro Histórico em uma espécie de shopping center ao ar livre. Essa é uma das sugestões do especialista em estratégias de marketing e coordenador geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da Universidade Católica de Santos (UniSantos), Alberto Claro, para fortalecer o comércio local. Em 2004, Claro elaborou um estudo de amostragem que traçou um perfil do público que frequenta o Centro. ‘‘A maioria dos entrevistados informou que trabalhava no Centro mas preferia consumir e passear nos shopping centers instalados em outros bairros’’. Isso porque não querem passear no mesmo local onde trabalham. Para o especialista, é necessário uma divulgação maior para fortalecer os produtos oferecidos no Centro. ‘‘Em muitos casos, os estabelecimentos oferecem itens como roupas com preços menores e com o mesmo padrão de qualidade’’. Ele reconhece que muitas ações já vêm sendo feitas pelo Poder Público. ‘‘A revitalização da Rua XV de Novembro e a recuperação de prédios históricos, com a consequente implantação da linha do Bonde Turístico, são pontos positivos que precisam ser ressaltados. Mas ainda é preciso executar melhorias na infra-estrutura, como as calçadas, que estão deterioradas em vários pontos’’.
Mais de mil
Parte do comércio local tem procurado investir em seus estabelecimentos, garante o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santos, Amadeu Lopes Lousada. ‘‘Até o início do ano tínhamos mais de 900 lojas estabelecidas na região central. Hoje, este número deve estar em torno de 1.100’’. Ele salienta que o Centro ainda concentra um número maior de agências bancárias em relação a outros bairros. ‘‘Além disso, temos toda a estrutura proporcionada pelo Porto, como agências de navegação e empresas de logística, que trazem um público consumidor em potencial. Precisamos acabar com aquele estigma de que investir no Centro não dá retorno’’. A CDL destaca que alguns pontos comerciais já estão abrindo aos finais de semana, como a loja da Casas Bahia. ‘‘Reconheço que ainda é pouco, mas já é um começo. Este será um processo gradativo’’.
Modernização
Duas lojas do ramo de roupas do Centro estão apostando na revitalização da área central. A Still, situada na Rua Martim Afonso, concluiu recentemente a modernização de suas instalações, que passaram a oferecer o mesmo tipo de padrão de outras unidades da rede, situadas em shopping centers. Inaugurada há pouco mais de um ano, no Calçadão da Rua Riachuelo, a Grão Pimenta está ampliando as suas instalações, que devem ser inauguradas em outubro. Funcionária da loja, Rosângela Bonano disse que o estabelecimento vai contar com uma estrutura para proporcionar um maior conforto para o público consumidor. ‘‘Nossos preços são mais acessíveis e competitivos em relação aos dos shopping centers’’.
O Centro concentra o maior número de vagas do Estacionamento Regulamentado (ER) pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). São 1.164 vagas contra 274 existentes no Gonzaga e 64 mantidas no Boqueirão. No primeiro semestre de 2005, foram vendidos 381.981 cartões para motoristas da Cidade. Neste ano, foram comercializados 393.194. Um fator apontado para esse crescimento é a volta da cobrança do ER aos sábados, que vem sendo criticada por parte dos comerciantes do Centro. Esta iniciativa não é encarada como um grande problema pelo especialista em Marketing Alberto Claro. ‘‘À medida que se criam novos atrativos, esta questão acaba sendo facilmente superada’’.
Para a secretária municipal de Planejamento, Débora Blanco Bastos Dias, a região do Centro está sendo potencializada com os atrativos históricos e os incentivos do projeto Alegra Centro.
Dados comparativos Bairro / Agências bancárias / Escritórios de Advocacia / Hotéis Centro 39 237 14 Gonzaga 19 36 5 Aparecida 4 1 — Fonte: www.investsantos.com.br (com base em informações do Conselho Municipal de Entidades de Bairros — Janeiro/2004)
http://atribunadigital.globo.com/bn_conteudo.asp?cod=261613&opr=103 |